ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 565 - 24/11/2009
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Programa 1155
>>Quem ganha com essa briga
>>Um trimestre de censura
Postado por Luciano Martins Costa 30/10/2009 às 9:00:46 AM
 

Quem ganha com essa briga

No mais novo capítulo da guerra entre a Folha de S.Paulo e a Igreja Universal do Reino de Deus, aparentemente nenhum dos lados leva vantagem.

Para os fiéis do negócio de almas comandado pelo empresário Edir Macedo, a Folha foi desmascarada pelas reportagens da Rede Record afirmando que carros da frota do jornal foram usados no tempo da ditadura para a repressão aos opositores do regime militar.

Para os fiéis leitores da Folha, as reportagens sobre os empreendimentos de Edir Macedo desmascaram uma rede de negócios suspeitos abrigados sob o manto de uma seita religiosa.

O lance mais recente mostra a secretária de Redação da Folha distribuindo nota para desmentir comentários veiculados pela Record  dando conta da queda na circulação do jornal nos últimos dez anos.

Segundo a nota da Folha, “as acusações feitas pela Record são falsas. A Folha não compactuou com o regime militar, nunca foi condescendente com casos de tortura e esteve à frente dos demais órgãos de comunicação na campanha pelas Diretas Já. Quando a Folha erra – como ocorreu no uso do termo ‘ditabranda’ – o jornal reconhece”, acrescenta a manifestação oficial distribuída a alguns órgãos de imprensa.

Há muita controvérsia nas manifestações da Record, por enquanto jogando no ataque, entre as quais algumas que exigiriam estudos mais acurados para serem confirnadas, como a declaração de que a Folha vem perdendo credibilidade.

Mas para confirmar ou desmentir a acusação de que a Folha colaborou com o regime militar alguns anos antes de se engajar na luta pela redemocratização, bastam depoimentos de alguns jornalistas que trabalharam no jornal naquele período.

A verdade histórica pode ser estabelecida a qualquer momento.

O que fica mais difícil é limpar o estrago que a lavação de roupa suja em público deve estar produzindo na imprensa em geral.

Aparentemente, os dois oponente têm muito a perder com essa Guerra.

Mas o público tem muito a ganhar com esclarecimento dos fatos. 

Um trimestre de censura

Alberto Dines:

- Três meses de ilegalidade: ontem se completaram 90 dias desde que o desembargador Dácio Vieira, do STJ de Brasília, decidiu impor a censura  prévia ao O Estado de S. Paulo impedindo que continuasse a publicação dos relatórios sigilosos da Polícia Federal sobre os negócios da família Sarney.

Enquanto a Comissão de Relações Exteriores do Senado discutia se o regime venezuelano preenche os requisitos de uma democracia plena de modo a ser admitida no Mercosul, nosso país completava um trimestre de arbítrio e deixava de atender a um dos requisitos fundamentais do Estado de Direito: a liberdade de expressão.

A infração cometida no Brasil é ainda mais grave porque o mesmo STJ decidiu tirar o desembargador do caso por considerá-lo suspeito e, mesmo assim, não foi anulado o vergonhoso ato censóreo que coloca o nosso país no nível de uma “banana-republic”. Pior ainda: o investigado pela Polícia Federal e diretamente beneficiado pela censura é um senador da República e chefe do Poder Legislativo. Trata-se de uma rachadura nos fundamentos do regime que o passar dos dias agrava ainda mais. Na entrevista que concedeu à Folha de S. Paulo, o presidente Lula foi taxativo ao declarar que a permanência do senador Sarney na presidência do Senado é uma questão de “segurança institucional”. Sem reparar nas implicações, transformou a censura ao jornalão em algo que transcende o erro ou a má-fé de um magistrado. A mordaça imposta há três meses ao Estadão foi uma decisão de Estado. Sendo assim, a Venezuela agora pode entrar no Mercosul e nós, teoricamente,  podemos ser expulsos.

Comentários (1)
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 Comentários
Alice  Aun Machado, professsora (São Paulo/SP) - Enviado em 1/11/2009 - 5:46:39 PM
Censurado o jornal que falou a verdade,tentou trazer a todos, os fatos que integram o cotidiano da ilha da fantasia lá no Planalto. Novidade? Não. Desde que existe um extenso território chamado Brasil,é assim. Nunca viu uma democracia. Obrigado a votar,obrigado a isso e aquilo. Na máquina elêtrônica de votação,não existe a tecla nulo.Impossível enumerar todos os atos arbitrários impostos ao povo,que nada faz para mudar o panorama.Sem política de saúde séria,sem política educacional séria,sem investimento em segurança pública,o que esperam? Uma nação? Um povo esclarecido e politizado que participa ativamente da vida política? Vejam a Venezuela: o coronel Chaves,interfere e cria incidentes na América latina.Violento,repressor,persegue jornalistas e opositores às sua ideias nada democráticas.América latina jamais saiu da repressão.Nem sabe lutar contra isso,tão arraigado está esse podre sistema à vida dos latinos. Alice
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